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A cidade que ninguém ficava de fora

 Júlia tinha doze anos e estudava no sexto ano. No recreio, ficava quase sempre sozinha sentada perto da grade, mexendo no estojo ou fingindo ler um livro. Os colegas passavam em grupo, rindo, trocando figurinhas, mas raramente a chamavam. Não havia empurrões, não havia xingamentos em voz alta. Era pior: havia silêncio. Quando ela se aproximava, as conversas se interrompiam; quando tentava sentar à mesa da cantina, os outros se levantavam aos poucos, como se fosse coincidência. Na sala de aula, os bilhetes passavam de mão em mão, mas nunca chegavam até ela. Quando a professora fazia trabalho em grupo, Júlia era a última a ser escolhida, não porque ninguém a odiasse, mas porque todos fingiam não vê-la. O que mais doía não era o que diziam, mas o que não diziam. O vazio. A sensação de ser transparente. Uma tarde, Júlia desenhou no caderno um coração pequeno, todo feito de quadradinhos. Embaixo escreveu: " Se ninguém me enxerga, será que eu existo?" Mas havia alguém que a enxerg...

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A aposta

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