Um tênis ameixa, uma livraria e um sonho de liberdade...


Estávamos no Rio. Queria fazer alguma coisa, no dia anterior ficamos o tempo todo trancados no apartamento porque o filho amanheceu com um desarranjo.

Queria ir à livraria do bairro. Ele preferiu ficar dormindo. Fui sozinha.

No caminho, entrei numa sapataria, afinal meu aniversário está perto e vou falar pra vocês, não tem coisa melhor do que se autopresentear. Meu marido acha graça, diz: lá vem ela com os 559 presentes, três meses antes do aniversário.. é verdade em termos, porque não são 559, mas que já começo a procurar o que quero com uma certa antecedência, lá isso é verdade..

Infelizmente não tinha o que procurava, segui para a livraria. Caminhar pela rua movimentada, quando não se precisa mais ter tanta pressa, como as pessoas que passavam por mim, é um privilégio, lembro de ter feito este caminho por muitos anos, indo do metrô até em casa e vice-versa. O vento gelado batia no rosto, por incrível que pareça 18 graus no Rio.

 Entrei na livraria e confesso que estava meio sem jeito, não sei porquê... e todo instante que me dava conta disso, tirava isso da mente, lembrando que ninguém estava preocupado comigo, nem com o que estava olhando nas prateleiras. Fala sério!!

Perguntei sobre um livro para o rapaz que estava perto da porta, mas não era com ele e me indicou as pessoas de colete verde, já me passou na cabeça que ele pensou: que idiota, não sabe que os livreiros são os de colete... em seguida, eu mesma me perguntei (tudo dentro da minha cabeça) qual o problema de não saber que os livreiros são as pessoas com colete verde?? E quem disse que ele pensou isso?? Fui atrás do rapaz de colete verde, ele estava com alguma coisa na mão e pediu que eu esperasse um pouquinho, mais uma vez a minha mente: você não viu que ele estava ocupado? Respondi: não, não vi!

Demorou um pouco até ele voltar e perguntar se era eu que procurava determinado livro, eu disse sim e o segui. Encontrei o que queria e ainda de quebra, levei mais dois.

Na fila de pagamento, olhei para cima, no mezanino funciona a cafeteria que sempre vamos e através da porta envidraçada, vi do outro lado da rua, a cafeteria que nunca tinha entrado mas tinha vontade de ir, como era um dia de quebrar padrões, me enchi de coragem e decidi que ia lá sozinha mesmo. Paguei e saí, atravessei a rua movimentada e entrei na cafeteria.

Estava bem cheia, mas tinha uma mesa com quatro lugares na entrada. Atrás tinham duas mulheres, do lado, dois homens, mais uma vez a insegurança bateu, mas dei um pé nela e sentei nesta mesa mesmo, só para confrontar a famigerada insegurança.

A garçonete veio com o cardápio e já me adiantei pedindo uma água com gás e gelo, acho tão adulto água com gás! Ela trouxe e fiz o pedido, uma toast de queijo brie, com presunto parma, peras carameladas no mel, delícia dos deuses, para finalizar um crumble de banana, só coisas que nunca havia experimentado, um dia de quebrar padrões mesmo!!

Enquanto me deliciava, abri os livros que comprei, ahh que delícia, uma sensação boa de liberdade plena, sem me preocupar com os demais, voltei para casa, pela outra calçada, feliz, feliz pela aventura que me permiti.

Em tempo... não achei o tênis ameixa na loja, mas comprei pela internet assim que cheguei em casa.

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